25 de mar de 2012

Era uma vez

Fazia muito tempo que não o via, ou tinha qualquer tipo de notícia dele.
Encontrá-lo assim na rua, ao acaso era esquisito, tê-lo perto de novo depois de tanto tempo, tão pouco contato resgatou lembranças e sentimentos que tinham caido no esquecimento, ficaram lá no fundo trancados num armário empoeirado.
Foi há quase um ano que o conhecera, casualmente num boteco.
Tiveram alguns poucos e desastrosos encontros cujo saldo deixado foi um vazio, uma saudade do que jamais aconteceu, como num abraço, daqueles onde a gente se perde um no outro e esquece o que está em volta...
E ela gostou dele, gostou mesmo. Mas uma sequencia de erros, emoções misturadas e confusas levou ao afastamento e a vida, essa filha da puta, se encarregou de fazer ambos seguirem caminhos diferentes.
Agora ele estava ali na sua frente, lindo, aqueles olhos ainda traziam o mesmo brilho e continuavam a despertar nela a mesma vontade incontrolável de segurá-lo naquele abraço eterno. De se perder dentro dele...


Engoliu em seco.


_ Oi, tudo bem?
_ Tudo e você?
_ Ah, seguindo a vida, trabalhando muito mas agora minha vida vai finalmente ficar boa...
_ Ah é? Conquistou o mundo? hahaha
_ hahaha pois é... quase.
_ Vai viajar? - disse ela apontando para a mala grande que ele carregava.
_ Vou, to me mudando em definitivo pra Malta.
_ Jura? Era um dos seus sonhos não?


O dialogo seguia superficial e lá no fundo seus sentimento já previam o sofrimento dessa notícia, a falta da possibilidade, mesmo que remota, de um futuro conjunto ia fazê-la sofrer calada de novo. Mas manteria o sorriso no rosto disfarçando a melancolia.
A conversa chegava ao fim e teria muito pouco com o que continuá-la...
Num ato impulsivo ela o beijou. Precisava de ter consigo essa lembrança, a ultima, a lembrança do eterno que poderia ter sido e nunca mais seria...
E o beijo foi correspondido, a princípio meio assustado depois terno, quente, carinhoso. Todo o sentimento que ambos refrearam veio a tona criando um daqueles momentos mágicos da vida que são eternos mesmo que durem um atmo.


_ Não podia deixar você ir embora pra sempre sem ficar ao menos com essa lembrança - ela disse quase num sussurro enquanto relutava em se soltar de seus braços que a envolviam.


Ia se virando, seguiria seu caminho, segurando as lagrimas que estavam prestes a transbordar e o nó que apertava sua garganta com uma força quase sobrenatural.
Não conseguia mais dizer nada.
Porque historias assim acontecem? Porquê ele não a amou? Porquê quando tiveram a chance fizeram tudo errado? Porquê? Porquê? Porquê?


Reunindo os cacos conseguiu dar uns passos.


_Vem comigo?


O tempo parou e tudo pareceu andar em câmera lenta...


Ele era um cara sério, com metas muito definidas de vida. Traçara-as desde muito cedo e nada nem ninguém o desviaria de cumpri-las.
Trabalhou muito, segurou sentimentos, sofreu calado e muito abdicou em nome dessas conquistas que agora estavam se concretizando.
Quando a conheceu não estava num bom momento. E por poucos instantes quase baixou a guarda, mas conseguiu ser forte o suficiente.
Aquela mulher era daquelas que poderia fazê-lo largar tudo e fazer loucuras!
Não sabia lidar com isso então mentiu, retraiu-se e se afastou.
Agora quando tudo estava se realizando e finalmente ele estava indo pro refugio de seus sonhos, ela aparecia ali, na rua, na sua frente.
Aquele beijo, reacendeu o fogo há tanto trancado. Ele não se desviaria de seu destino, mas num raro momento onde a emoção domina a razão, ao vê-la se virar e seguir, o convite saiu de sua boca impetuosamente, com vida própria.
Esse definitivamente não era seu estilo e agora olhando-a de costas, paralizada ao ouvir suas palavras, sentiu muito medo... tinha certeza que ela recusaria... de novo a mistura confusa de sentimentos insólitos giravam sua cabeça.


_Oi?


Ela se virou e seus olhares se cruzaram ... 


_ Vem? É loucura, eu sei, mas não quero ir sem você, quero viver isso, quero viver essa história com você...


Seu olhar era sincero e as lagrimas agora já pulavam dos olhos dela descontroladas.
Seus corações batiam tão forte que poderiam ser ouvidos a quarteirões de distancia.


_ Eu vou!




...




Essa história não acaba aqui. Aliás aqui é só um começo. Uma viagem. Um delírio.


Qual é o fim?


Não sei...